A difícil e linda arte de ser mulher

Sim, eu sei que eu sumi. Mas isso tem um bom motivo: literalmente casei, mudei e não convidei ninguém, hahaha!

Eu explico. No fim de março, quando escrevi o último post, estava de férias de uma empresa que já não mais correspondia às minhas expectativas e, quando voltei, fiquei só mais duas semanas lá. Fui trabalhar com um cliente meu, fazendo feiras de negócios. Minha avó faleceu na mesma semana em que comecei nessa empresa, a cabeça a milhão, vocês imaginam.

Nesse ínterim, o moço do interior, que se chama Paulo César, recebeu um convite para trabalhar em Belo Horizonte e veio morar comigo, na casa dos meus pais (!). Em setembro nos mudamos para a outra casa do lote, onde poderíamos ficar à vontade e cuidar das nossas próprias contas.

Na mesma semana que me mudei para lá - sim, minha vida é feita de grandes emoções - troquei de emprego de novo. Não, isso não é por falta de ritalina, mas porque ela me fez perceber o meu limite real e até onde eu posso embarcar em algo. Se vejo que não vai ter futuro, vou embora mesmo, sem dó. Fui trabalhar com outro cliente da antiga empresa e agora estou fazendo congressos. Tem dia que é estresse puro, mas estou amando! ^^

Hoje em dia eu faço uma das partes mais difíceis da organização de um evento: a coordenação de transporte aeroporto - hotel - evento de palestrantes. É algo que exige extrema concentração e atenção. Tenho que ficar de olho se Fulano desceu, se Beltrano pegou táxi ou se Sicrano resolveu dar uma passadinha na praia antes de ir para o evento. Claro, porque se eu perco algum deles de vista, corro o risco de não embarcá-lo no veículo em que ele tem que partir e isso pode dar um problema danado, atrasando todo o cronograma do evento. Tem dia que eu chego à minha casa quase às onze da noite. Já passei dez dias fora de casa, dos quais seis socada no hotel, trabalhando em um evento. Mas essa loucura toda me dá um alento enorme: a de que eu sou capaz de fazer tudo, e a sensação de missão cumprida que vem depois é inenarrável!

Participo de um programa de TV sobre o América, a Hora do Coelho. Gravamos todas as quintas e ele vai ao ar aos domingos às 10h30min na www.tvcbh.com.br. Escrevo também no www.futeboldeminas.com.br >> Colunistas >> Avacoelhada. Ganhei o registro de jornalista e agora vou ao estádio como imprensa. Assisto ao jogo ao lado do técnico. Considero-me uma pessoa privilegiada.

E agora eu tenho outra missão também: a de ser esposa e dona de casa. É difícil conciliar isso tudo com um trabalho que me exige tanto. Às vezes chego em casa tão tarde e cansada que só tomo um banho, bato na cama e apago. Já passei uma madrugada de sexta para sábado arrumando casa. Faço jantar de dois em dois dias, porque é o que dá para fazer, já avisei ao marido. E quando estou com dor de cabeça o mínimo que espero é que ele faça um lanche para mim e me leve um remedinho na cama. E sem reclamar!

Descobri que tenho TPM. Bom, na verdade eu não sei se antes eu não tinha ou se era porque era tão agitada que não percebia. Passei a ter dor de cabeça (o que não é motivo para não ter sexo, que fique bem claro. Sexo ainda continua sendo o melhor remédio, meninas). A encasquetar com as gordurinhas que insistem em saltar para fora da calça. E não estou exagerando, está feio e eu estou me sentindo mal com o meu corpo, mal cuidada. Tenho lá minhas crises de choro e de mau humor. Estou aprendendo a ser mulher e  com quase todas as feminices. A única que não consigo ter é a compulsão por compras: entro no shopping e minha vontade de comprar desaparece, impressionante.

Eu estou até gostando de ser mulher mesmo, sabe? Poder cuidar do cabelo, das unhas, fazer uma atividade física, cuidar do marido e dar atenção a ele. O que mais me irrita ultimamente é eu estar lá, finalmente conseguindo concluir as minhas atividades, e meu pai ficar jogando na minha cara que eu sempre fui preguiçosa e agora estou tendo que fazer as coisas "para os outros". Os outros: meu marido.

Continuo cheia dos sonhos, mas tive que dar uma pausa neles para poder realizar um de cada vez. Bate uma tristeza por muitas vezes você olhar para trás e perceber que perdeu um tempo danado na sua vida com coisas, pessoas e atitudes que simplesmente não valeram a pena.

É um processo de autoconhecimento muito grande e sofrido. Dói. Mas a gente supera e aguenta.

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Nossa bobagem de cada dia:

A minha bobagem é sem ritalina mesmo, porque sóbria é mais gostoso de se fazer as coisas. Por isso resolvi começar o meu dia com uma oração.

“Pai nosso que está nos céu, meu pai não é piloto, ele é mecânico. Santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino. Complicado isso, fica parecendo aquelas conquistas medievais, um rei invadindo o reino do outro, castelo, dragão, princesa... Onde eu estava mesmo? Ah, sim, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. É, piloto quando está em terra, fala de avião, quando está em vôo fala de mulher. Bobagem danada, gente. Eu queria a uma hora dessa estar em comando para ver na prática mesmo o nível de cruzeiro. Por isso que atleticano nunca é piloto, para não ter que se manter em nível de Cruzeiro. A propósito, o jogo do América foi ótimo, pena que o juiz tenha roubado tanto. Tadinho do Mequinha, tão injustiçado! Nossa, viajei. O pão nosso de cada dia nos dai hoje... Putz! Lembrei que tenho que pagar o seu Manoel da padaria! Ah, não faz mal, amanhã eu vou lá e aproveito para fazer a unha com a dona Judite. Só que os esmaltes dela estão ruins, vou sugerir comprar uns novos, tem umas cores bonitas que saíram estes dias, última moda. Ah... ahmmm... é... ta. Amém.”

Texto por Glaucia Piazzi

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