O TDAH e o bullying

O déficit de atenção é uma merda e que dificulta em muito a minha vida. Povo acha bonito, tá na moda, agora tudo é explicado pelo TDAH, e vem ainda essa porcaria de bullying para tornar tudo ainda mais chato e politicamente correto.


No meu tempo, a gente reagia ao bullying. Por ser TDAH com uma inteligência acima da média, era considerada um tanto doida (alguns graças a Deus me enxergavam como alguém à frente do seu tempo), porém por ser pequena e ao mesmo tempo muito sensível às críticas e aos apelidos arrumava briga fácil. Era praticamente a Mônica do Maurício de Sousa: baixinha, dentuça e briguenta - minha paciência sempre foi zero. Fora o meu nome, né, Glaucia, que, além de ser um nome pouco comum, levava ao diminutivo Glaucinha e, por conseguinte, ao foneticamente semelhante “Calcinha”. Para piorar a situação, o hit do verão em 1987 tinha sido “Kátia Flávia”, do Fausto Fawcett, que falava ao telefone que estava usando o quê? “Calcinha!!” Ave Maria! Sinto arrepios ao ouvir esta música até hoje.

Não me esqueço de um episódio lá pelos idos desse ano: estávamos todos em fila, todas as séries no pátio, uma daquelas famigeradas sextas-feiras de hino nacional na escola. No palanque, a diretora, a orientadora e algumas professoras, duas ao lado da bandeira, prontas para içá-la.

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante...”

Eu era sempre a primeira da fila, né, devido à minha estatura de salva-vidas de aquário. Uma menina, que tinha o péssimo hábito de ficar me amolando por causa dessa merda dessa música, queria me estressar, mas não podia fazer muita coisa na hora do hino. E eu já tinha avisado à professora que a qualquer hora eu iria perder as estribeiras e dar-lhe na cara, pois já estava até o tucupi com essa menina. Ela saiu lá de trás – era uma das últimas da fila – e foi lá na frente me encher.

“...Se o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braço forte
Em teu seio,ó liberdade,desafia o nosso peito a própria morte.”

E lá foi a menina desafiar a morte mesmo. Chegou ao meu ouvido e falou assim:

- Ô, Calcinha, olha como é que o sinal está agora!

Dizendo isso, pôs as mãos em concha e gritou no meu ouvido imitando o sinal do recreio. Eu nem olhei pro lado: só virei a mão nela ali mesmo e ela deve ter voado a uns dois metros de distância. A gravação do maestro Alberto Nepomuceno continuou rolando sozinha enquanto a escola inteira olhava para a praga da menina estendida, já me condenando pelo feito.

Obviamente fui parar na sala da orientadora. Devidamente acompanhada pela professora, que eu acho que devia ser advogada, porque ela me defendia com força, entrei de cabeça erguida e sem um pingo de arrependimento. A orientadora lá, olhando consternada para a menina chorando e eu lá com aquele ar blasé. Aí perguntou a ela o que aconteceu, e ela é claro que deu sua versão, dizendo que eu era violenta e que batia nos outros à toa. A professora interveio e disse que essa menina me perturbava há muito tempo e, como estava lá na frente, havia testemunhado o grito que ela tinha dado no meu ouvido.

Problema resolvido, quem assinou a ocorrência foi a garota.

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Nossa bobagem de cada dia:

A minha bobagem é sem ritalina mesmo, porque sóbria é mais gostoso de se fazer as coisas. Por isso resolvi começar o meu dia com uma oração.

“Pai nosso que está nos céu, meu pai não é piloto, ele é mecânico. Santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino. Complicado isso, fica parecendo aquelas conquistas medievais, um rei invadindo o reino do outro, castelo, dragão, princesa... Onde eu estava mesmo? Ah, sim, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. É, piloto quando está em terra, fala de avião, quando está em vôo fala de mulher. Bobagem danada, gente. Eu queria a uma hora dessa estar em comando para ver na prática mesmo o nível de cruzeiro. Por isso que atleticano nunca é piloto, para não ter que se manter em nível de Cruzeiro. A propósito, o jogo do América foi ótimo, pena que o juiz tenha roubado tanto. Tadinho do Mequinha, tão injustiçado! Nossa, viajei. O pão nosso de cada dia nos dai hoje... Putz! Lembrei que tenho que pagar o seu Manoel da padaria! Ah, não faz mal, amanhã eu vou lá e aproveito para fazer a unha com a dona Judite. Só que os esmaltes dela estão ruins, vou sugerir comprar uns novos, tem umas cores bonitas que saíram estes dias, última moda. Ah... ahmmm... é... ta. Amém.”

Texto por Glaucia Piazzi

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